Ano Novo, metas de leitura e uma lista

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O ano de 2015 começou. Assim, bem rápido, do nada, vapt vupt. Daí as promessas começaram a surgir, a nova agenda foi preenchida e, junto com ela, nossa meta de leitura foi reestabelecida. 

Não sei vocês, mas todo ano eu crio alguns objetivos que tenham a ver com livros. Vou ler uma quantidade x de obras, vou escolher aquele título que está pegando pó na estante, vou anotar todos os livros que for lendo (no tempo certo, sem deixar pra depois pra não esquecer), vou ler todos os dias pelo menos 15 páginas, definitivamente vou aumentar a quantidade de obras lidas comparando com o ano passado… E, claro, desejo tudo isso do fundo do meu coração. Mas, não preciso nem dizer que não costumo cumprir nem a metade do que me proponho: O livro está com mais pó do que no ano passado, têm dias que não toco em uma página sequer e já li uns quatro títulos e nem comecei a catalogar todos (só em uma lista imaginária, no máximo). Pode ser falta de organização, mas acho que todo mundo passa por isso de alguma maneira, não é? Então, estou aqui para trazer ao público as minhas promessas, começando pela seguinte: VOU ME ESFORÇAR MAIS DO QUE NO ANO PASSADO.

Já baixei todos os aplicativos que ficarão despertando pela eternidade no meu celular, computador e cabeça; criei um mural físico que tem mais papel alfinetado do que quadros de avisos em lugares públicos e estou me sentindo uma pessoa extremamente organizada.

Depois disso, acabei criando uma lista dos melhores livros que li no ano passado. São obras que eu levaria para uma ilha deserta, pro Big Brother ou pra cabeceira da cama. Daí, pensando no tema da minha primeira coluna aqui no Torrada, me dei conta que eu poderia compartilhar tudo com vocês. Mas, não do jeito óbvio, é claro.

Como num clube do livro ou festa do pijama, separei cinco indicações que serão citadas com as minhas observações pessoais. Nada de apenas sinopse, capa ou preço. Quero começar esse 2015 com o pé direito, falando pelos cotovelos e enchendo as patovinas de quem quer mais do mesmo. No final, me dei conta que são livros incríveis  e que, tenho certeza, poderão ajudar no alcance das metas de leitura em 2015.

Vocês embarcariam comigo nessa empreitada?

torrada

– Dobradinha sobre sermos humanos

Começando com dobradinha do mesmo autor: o tcheco Milan Kundera, com as obras  “A insustentável leveza do Ser” e “A Festa da Insignificância”. Tirando o fato do escritor ser o mesmo, os dois livros têm um ponto em comum: Deixam aquela pulga atrás da orelha por toda a eternidade.

Na primeira obra temos os personagens Tereza e Tomas, Sabina e Franz. Eles estão assim, apresentados juntos, por questões de proximidade, mas eu poderia apresentá-los como Tomas e Sabina, Franz, Tereza ou até mesmo Tomas e Sabina e Franz e Tereza porque assim também faria sentido. Cada um, à sua maneira, experimenta o peso de existir e também sua leveza. Um personagem preza pela liberdade e a tem em excesso, o outro pelo peso e tem até as costas curvadas. Ambos são felizes. Ambos sofrem. Qual será o sentido de viver, portanto?

A obra, que foi publicada em 1982, virou livro de cabeceira para 90% dos leitores (eu inventei este número, mas ele deve ser bem próximo à realidade), inclusive o meu. É impressionante como o autor consegue nos apresentar as banalidades da vida por meio da ficção e soar – ao mesmo tempo – tão real, tão angustiante e tão libertador. Falando em coisas sem sentido, “A Festa da Insignificância” traz justamente a falta de sentido. São 134 páginas falando sobre personagens que não fazem nada e que não são nada demais e, contraditoriamente, um monte de coisa. Que nem a gente. E é esse fazer nada que dá espaço para nossa própria insignificância, mas será que isso é tão ruim assim?

*Você pode ver minhas críticas (em vídeo) desses dois títulos clicando aqui e aqui.

– A falta de humanidade

Se nas indicações anteriores temos excesso da ideia de sermos humanos, nessa nova dobradinha há quase uma ausência. Quase porque, normalmente, se há ausência é porque já teve excesso. Deu pra entender a linha de raciocínio?

De qualquer maneira, de um lado, conhecemos Alex, um menino bem horrorshow de dezesseis anos. Ele fala sua própria linguagem (o que pode tornar o livro um pouco cansativo nos primeiros capítulos, mas nada que o cérebro não se acostume), pratica atos ultra-violentos e é escolhido pelo governo para participar de uma técnica que retira toda a maldade do ser-humano. O livro tem filme (bem fiel) de Stanley Kubrick, mas é um baú bem mais poderoso. O autor, Anthony Burgess, é profundo o suficiente para fazer o leitor ficar uma semana (talvez no plural) falando o nadsat, a linguagem criada pelos jovens do livro.

Já do outro lado temos um viciado em tecnologia que resolve ir para um castelo que pertence a seu primo com quem não fala há anos. Não sabemos o motivo da ruptura no relacionamento, mas sabemos que o convite pode ter segundas intenções, que não há tecnologia no local, que o castelo pertenceu à uma família cuja a única pessoa viva é uma senhora de idade que mora dentro de um torreão no meio do terreno e que se recusa a sair de lá e que uma turma de estudantes está ajudando na empreitada de transformar tudo em um hotel, inclusive uma piscina onde morreram um casal de crianças e que parece conter toda a sujeira do mundo (respira, ufa). O primo chama Howard, é milionário e, além de querer transformar o castelo em hotel, também vai transformar a vida de Dannie, o protagonista viciado em tecnologia que é um tanto quanto paranoico e que é narrado por alguém que não sabemos quem é, mas que vai se apresentando ao longo da história.

É assim mesmo: Você só respira quando o livro acaba. 

*Você pode ver minhas críticas (em vídeo) desses dois títulos clicando aqui e aqui.

– Pra descansar a cabeça

A gente está em clima de verão, as férias (se não acabaram) estão quase lá e, bom. Tem que ter aquele livro da praia, da piscina, da casa do campo ou dos cinco minutos antes de deitar. Nada melhor se, junto com esse descanso, viesse a possibilidade de lembrarmos – com carinho – de um tempo que já passou ou (se for o caso) pensarmos no que podemos fazer enquanto estamos passando por aquela fase.

Como? Imagina a cena: Você está lá, de bobeira, pensando na sua meta de 2015. Dá uma escapulida pro facebook e resolve dar um googlada no seu próprio nome. Acha um blog seu de quando tinha quinze anos (se você tiver quinze anos agora, imagina que você achou um blog de quando tinha oito, sei lá). Daí você começa a pensar em quão bacana foi aquela fase e TCHUM. Viajou no tempo e lá está novamente, fisicamente falando.

Quando eu disse que era pra descansar a cabeça eu dei uma mentida, porque agora fiquei em dúvida: Qual terá sido a minha meta de leitura do ano novo em que eu tinha quinze anos? Será que eu a cumpri? Será que eu também tinha alguns livros com tanto pó quanto os que estão aqui agora? Vou dar uma googlada no meu nome pra ver se eu acho alguma coisa.

postado por Taty

4 comentários em “Ano Novo, metas de leitura e uma lista

    • Simm! E tenho contas em todos! Mas, confesso, que fico uma semana fazendo e depois vou esquecendo. Na real, fico chateada por não ter feito antes e não ter catalogado meus livros lidos em 1800 e bolinha, daí vou parando! :( Acabo indo no manual mesmo… .-.

      Curtido por 1 pessoa

  1. que texto delicioso, conversando com o leitor, com os autores e os personagens. Meus destaques:

    (respira, ufa).
    mas nada que o cérebro não se acostume).
    (eu inventei este número, mas ele deve ser bem próximo à realidade)
    (se você tiver quinze anos agora, imagina que você achou um blog de quando tinha oito, sei lá).
    até aqui, percebo agora, todos na curiosa liberdade dos parênteses.
    E mais: a última frase, provocando o fio de meada; e, claro, o final do seu comentário, com o 1800 e bolinha.

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