A arte de sair da fossa

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Esses dias acordei meio “pra baixo”. Eu, com essa minha personalidade geminiana, já devia ter me acostumado com esses altos e baixos tão comuns quanto água escassa em São Paulo. Acontece que a gente não se acostuma.

Em meio a uma série de coisas para fazer, fui me dando conta que ia dar ruim. Minha cabeça estava em um nível que mesmo os projetos mais encantadores não encantariam, nem gatos vestidos de unicórnios dançando “tralalá-lá-ô” bastariam. Daí, dei uma pausa. Respirei fundo, contei até dois e lembrei de respirar fundo mais uma vez. E bati o olho num livro. Bendita hora.

Então entendi, – na verdade percebi bem depois quando o relógio já estava me informando que o dia estava no fim -, que a melhor maneira de sair daquela zona de desconforto, quando tudo está no lugar errado, é entrar em um mundo onde as coisas estão no lugar certo (ou propositalmente erradas para dar um gostinho de quero mais. E tem sempre outra cara quando é uma vida que não a sua). Afinal, o que vai acontecer com todos aqueles espíritos no hotel iluminado? Que mundo é aquele dentro do armário? E se alguém quiser ser divergente? Por que o coelho está atrasado? Okay? São tantas as perguntas…

Enquanto entrava e me concentrava em outras vidas que não a minha deixei de estar negativa. No final das contas acho que é isso que os escritores querem: Que suas histórias entrem na mente das pessoas de tal maneira que não seja mais preciso pensar nos nossos problemas, só nos dos outros. E num sentido positivo, claro.

Pensando nessa possibilidade, de esquecer a pressão da vida real e entrar em outro universo, resolvi – como sempre – fazer uma listinha pra vocês. Daquele jeito do meu primeiro post: Sem sinopses ou preços, apenas um blá blá blá totalmente pessoal. Será que consigo tirar alguém da bad?

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Quando um terrorzinho vai bem.

Vou contar pra vocês que morro de medo de tudo. Me assusto fácil, tenho pesadelos, não durmo. Então, me imaginem lendo “O Iluminado” no Ano Novo, numa casa na praia sem nenhuma tecnologia e barulhos estranhos da natureza? TENSO. E o lance de livro é que não tem como pular a parte que assusta. No filme eu viro pro lado, finjo que desmaiei, dou um gritinho. No livro não tem como: É você, você e você. Se pular aquela linha perdeu toda a narrativa e não sabe mais o que aconteceu. Daí, assim que terminei, já em São Paulo, fui comer com farinha a continuação.

“Doutor Sono”, por sua vez, não é bem um livro de terror como o primeiro, mas é absolutamente encantador. No começo – eu que esperava altas doses de medo – comecei a achar chato, mas aí depois foi um tal suspense que não acabava mais. Faltavam dez páginas pro livro terminar e eu ainda estava com palpitação (aliás, este texto foi feito exatamente no dia que eu o terminei. O tal livro que eu “bati o olho” foi esse calhamaço do rei do terror). Acho que já deu pra entender, né?

Quando queremos ficar meio loucos

Uma coisa deve ser esclarecida antes de tudo: Esse é o meu livro preferido da vida. Dá pra imaginar a dimensão disso? Quando eu o li, simplesmente fiquei maluca. Entrei na paranoia, achando que tudo podia acontecer comigo, com meus amigos ou com as pessoas que andavam ao meu lado…

Apesar disso, a história é quase inverossímil: Uma família de mórmons se muda para o sul do Brasil. O filho Denis, ainda adolescente, precisa de algum brasileiro que saiba inglês para ensiná-lo português. Entra Álvaro na história. Daí surge uma paixão bizarra que faz todo mundo se converter à religião e viver uma vida de mentira até que rola uma… LOBOTOMIA. O resto é spoiler (e eu gosto de falar mesmo assim. Se estiverem preparados, vejam meu vídeo sobre o livro).

Quando ficção não basta e queremos alta dosagem de realidade

Algumas vezes não adianta: Cansamos de ficção. Nesses casos, não tem jeito de mergulhar melhor no universo real e alheio do que com as reportagens de Audálio Dantas. O jornalista (que dispensa apresentações, mas vou apresentá-lo mesmo assim) que descobriu Carolina Maria de Jesus, ainda recebeu prêmio da ONU por seu trabalho e é conselheiro do Instituto Vladimir Herzog. Com este currículo, fica difícil não acreditar que todas as suas matérias presentes em “Tempo de Reportagem” não sejam minimamente hipnotizantes. Como já falei demais, foquem na matéria sobre o concurso de carnaval que colocava candidatos para dançar por 72 horas sem perder a animação (com direito à plateia e tudo). De derrubar lágrimas e ficar com o coração apertado.

 

Um comentário em “A arte de sair da fossa

  1. Pingback: Vale o clique #10 | Como livros, bebo séries

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