Todo carnaval tem seu fim & outras vidas que não a minha

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Já dizia Los Hermanos (na verdade, eles sempre dizem a mesma coisa toda vez que alguém inventa de cantarolar essa música) que todo carnaval tem seu fim. E tem mesmo. Num dia estamos lá, pulando e soltando confetes, aquela serpentina que fica enrolada no cabelo e só sai no banho.; no outro, estamos cabisbaixos, já enfiados nas nossas respectivas agendas&livros&cadernos&reuniões&ano que começa.

Eu mesma não sou um exemplo enorme de carnavalesca, mas esses dias eu estava bem atenta a aproveitar meus dias de folga até o extremo. Tendo carro elétrico ou tv no mudo, o que me importava era a minha lista de livros para ler até 2015, ou aqueles livros que estavam com serpentina e spray colorido do verão passado. E, enquanto uma mão tocava pandeiro e a boca recitava uma marchinha, o cérebro ia pensando em como o contraste das pessoas nas ruas e dos tristes personagens iriam mexer com a protagonista da minha vida, no caso eu mesma.

Vou explicar melhor: Enquanto o povo gritava de alegria, minha escola campeã, meu samba é lindo; os personagens relembravam um passado há muito distante, choravam um amor não correspondido e nada virava samba. Daí, fiquei pensando qual desses lados eu ia pegar mais. Porque, sou assim, tipo esponja, vou pegando, vou absorvendo tudo que passa ao meu redor e não sabia se cantava um choro ou se o entoava.

O que me leva a pensar, novamente, como essas outras vidas nos tocam profundamente, assim, sem mais nem menos, sem dar um oi, sem chamar pra um café. Vi um palhaço na rua e peguei um nariz vermelho, li sobre a personagem Anne que é invisível numa sociedade bizarra e ninguém sequer apertou meu nariz.

E aí fiquei bem geminiana. Uma hora sambando na cara da sociedade, outra hora dizendo que não sabia sambar.

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