Laurent Chehere e sua fantástica série “Flying Houses”

Bachelard acreditava que a casa não poderia  ser apenas interpretada como um conjunto de materiais de construção empilhados para que pudéssemos nos esconder da chuva ou ter um cantinho seco para dormir, não. Para ele a casa é o nosso primeiro universo, o nosso canto no mundo…

Ela é a “alma e o corpo” e cada um de seus cômodos representa uma parte de nós,então seguindo essa lógica, o porão seria nosso inconsciente e o sótão nossa elevação espiritual (uou)! Sou fascinada por esse assunto e assim perdia (ou ganhava) vários minutos observando as casas que frequentei desde pequena. Mesmo que naquela época eu não soubesse muito bem o que eu estava procurando, reparava em coisas bobas como as cores da parede, os desenhos dos azulejos, os contornos da fachada, possíveis rachaduras, manchas, basicamente qualquer coisa que me chamasse a atenção..e quanto mais eu observava tudo aquilo mais eu conseguia ver um pouquinho de seus proprietários em cada canto, fresta e sinais de que o tempo havia passado por ali.

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A Vendre/ For Sale

Imaginem o susto (no melhor dos sentidos) que eu tomei quanto encontrei o trabalho do fotografo francês nascido nos anos 70, Laurent Chehere em 2013 aqui no nosso Brasil-sil-sil pela primeira vez! Apesar de ter um portfólio repleto de trabalhos para grandes marcas comerciais como a Audi e Nike, Chehere resolveu largar tudo e viajar pelo mundo!De volta a Paris, começou a explorar bairros e comunidades de baixa renda e à partir dessa experiência,reuniu fotos dos mais distintos tipos de moradia, de tendas de circo até pequenas casas genéricas. O artista conta que muito de sua inspiração vêm de filmes como “The Red Ballon” de Albert Lamorisse e também das maravilhas de Wim Wenders, Frederico Fellini, Hayao Miyazaki e Marcel Carné.

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La Grande Illusion / The Great Illusion

A forma com que ele retrata essas casas, me faz ter a sensação de que na verdade estou diante de um retrato de uma pessoa que eu nunca cheguei a conhecer, mas que me parece intima de alguma forma e acredito que essa seja a intenção do artista já que ele afirma ter como objetivo nos mostrar a beleza escondida nesses lugares, tirando do anonimato e contando suas histórias sejam elas engraçadas ou tristes, reais ou fantasiosas.

Harmonie/Harmony

Acho lindo como ele restitui o valor e a grandeza de espaços e pessoas muitas vezes desprezadas pela sociedade, como as caravanas de ciganos, os imigrantes africanos, o anão entristecido que ele encontrou no topo da tenda do circo tentando acender um cigarro, um cinema em frangalhos, um café tranquilo do bairro, um hotel todo detonado e tal da casinha sem graça aí de cima.

Cirque/Circus

Cirque/Circus

Todas as fotos foram tiradas cuidadosamente sob o mesmo tipo de iluminação, trabalhadas no photoshop (afinal de contas,casas não costumam voar por aí sozinhas) e apresentadas em grande escala para que o observador tenha a oportunidade de se perder em cada mínimo detalhe: graffiti nas paredes, personagens escondidos, o nome de uma rua ou do próprio estabelecimento, placas, janelas, portas e até referencias à um filme ou música colocadas de forma subliminar.

Caravane/Caravan

Caravane/Caravan

Não sei vocês, mas tenho vontade de embarcar em cada uma das fotos, que mais me parecem janelas para um lugar totalmente novo e ao mesmo tempo, familiar.

Quer saber mais? Siga toda essa magia no Facebook e fique por dentro das novidades! Quem sabe ele não aparece de novo por essas bandas? Vou ficar na torcida!

postado por RENATA

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