Um discurso do bem: Entrevista com Jessica e Ariane

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Você deve estar no meio das 7 milhões de pessoas que curtem a página do facebook “Indiretas do Bem”.  O projeto, que começou com uma brincadeira no trabalho, hoje já é a principal base de renda (e amor) da designer Jessica Grecco e da jornalista Ariane Freitas.

Depois de um tempo de sucesso nas páginas da internet, as meninas resolveram mudar o tipo de mídia e mostrar o rosto – antes ninguém sabia exatamente quem estava por trás do projeto – e lançaram pela editora Gutemberg “O livro do Bem”, uma obra interativa onde o estilo de artes já conhecido das escritoras vira uma viagem para dentro de cada um.

A gente queria uma coisa que fizesse as pessoas olharem pra dentro e refletirem”, explica Ariane, que é a responsável pela ilustração de todo o livro, “é isso que a gente pede: Que você pare cinco minutos, preencha uma página, pare o tempo e olhe pra você”, completa Jessica.

Não à toa, o livro possui uma grande conexão com a internet, além de playlist online, todos podem dividir suas pinturas e brincadeiras, usando a hashtag #LIVRODOBEM que vai parar no site do projeto e, dependendo, até no instagram. Com tanta interatividade, as meninas lançam, neste mês de maio, mais DOIS LIVROS, o “Livro do Amor” e “Livro do Sossego“.

Muitos sorvetes, mesmo num dia frio

Então, para o primeiro post do projeto #queleiamlivros, Luanda e eu resolvemos levar as meninas para um dos seus lugares preferidos aqui em São Paulo: O Frida&Mina, um espaço lindo com sorvetes artesanais e ingredientes fresquinhos. Apesar de estar um dia super gelado, foi lá que nossas maiores dúvidas apareceram: Crocante de macadâmia ou morango balsâmico? Açúcar Mascavo ou Doce de Leite? Coco Queimado ou Caramelo com flor de sal?

Foi bem nesse momento que deu pra sentir o jeitinho de cada uma das entrevistadas. Enquanto Ariane já estava com sua casquinha na mão, Jéssica e eu líamos e relíamos cada sabor. “Não tenho a mínima ideia de qual escolher. É uma decisão muito difícil”, explicou. Depois de experimentarmos algumas das opções, combinamos que, qualquer coisa, ainda daria para “bisbilhotar” (com colheradas) os sorvetes das amiguinhas. E foi com este pensamento que descobrimos sermos, justamente, as duas únicas pessoas de gêmeos do recinto. Já dá pra notar que não foi nada fácil (nem na segunda vez que levantamos para mais um sorvete).

Depois de muitas fotos, risadas e histórias antigas, a entrevista começou oficialmente. Acompanhe abaixo o bate-papo cheio de amor e gente que toma sorvete sempre, mesmo no frio! <3

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Vocês duas são de São Paulo, costumam comer muito fora? Como é feita a escolha de lugares (inclusive essa do Frida&Mina)?

Ariane: Nosso sonho era uma casinha nessa rua, pra vir aqui todo dia. Aqui é um lugar tão tranquilo pra conversar, decidir coisas e, claro, comer todos os sorvetes que pudermos… A gente só faz reunião em lugar que dá pra comer coisa gostosa, na verdade (e ri).

Jessica: Prioridades na vida, né amiga? Mas, sobre os lugares que escolhemos, não temos uma rotina de ficar procurando lugares novos, mas costumamos dar uma fuçada no Foursquare pra pegar dicas e ver lugares próximos de reuniões, entrevistas, trabalhos e assim vai…

E comem de tudo nesses lugares?

Ariane: Eu sou muito da rotina, sabe? É muito difícil eu pedir outra coisa senão os meus pratos favoritos…

Jessica: E eu sou muito chata pra comer. Não como peixe, por exemplo. Se for algo muito diferente, que eu não vá fazer em casa, OK. Mas, não sou de arriscar com coisas estrambólicas ou essas coisas assim, tenho medo!

E pra entender um pouco mais sobre vocês, a Ari é jornalista enquanto a Jessica é publicitária. Como foi essa escolha de profissão? Sempre souberam?

Ariane: Meu sonho, quando criança, era ter uma casa no campo, em frente a um lago, para ficar escrevendo na máquina. E eu também sempre tive blogs, sempre adorei mexer no computador e sempre quis ser escritora, então, acabei ficando em dúvida entre Letras e Jornalismo, tanto que comecei as duas ao mesmo tempo. Daí acabei ficando só em jornalismo mesmo e logo depois acabei entrando em uma agência.

Jessica: Eu sempre quis ser publicitária, desde que eu era muito pequena. Eu via outdoor e achava lindo! Daí, fiz vestibular e entrei na faculdade Casper Líbero. Eu queria fazer direção de arte, mas percebi que eu não tinha muita paciência pra desenhar e ilustrar, então fui pra redação e criação. Daí tudo começou mesmo depois que entrei como estagiária no R7,

Daí, vocês duas se conheceram em uma agência de publicidade, ficaram amigas e largaram tudo para ir atrás do projeto que tinham acabado de inventar (o Indiretas surgiu porque as meninas estavam cansadas de mensagens negativas espalhadas na mídia). A gente já viu que deu certo (são mais de 7 milhões de pessoas que curtem a página e compartilham as artes das meninas), como e quando vocês notaram que dava pra transformar tudo em livro?

Ariane: A gente sempre quis escrever, na verdade. E quando lançamos o “Indiretas do Bem” e vimos que as pessoas sentiam falta dessa parte mais sentimental, dessa ideia de compartilhar coisas boas e interagir junto com a gente – quer dizer, a página só existe por causa dessa interação que acaba rolando – acabamos pensando: “Por que não?”.

Jessica: É muito engraçado porque as pessoas pegam os livros, olham as páginas e se apaixonam. A gente têm vários amigos que nem gostam muito de desenhar ou não têm prática… Tem até uma amiga que falou pra gente: “Ah, eu nem lembro há quanto anos eu não comprava uma caixinha de lápis de cor e eu comprei pra fazer o livro”.

E como está a reação do público? Está dentro da expectativa que vocês tinham?

Ariane: As pessoas ficam postando, “meu primeiro aviãozinho de papel em vinte anos”. E pessoas mais velhas falando, “comprei lápis de cor, estou aqui pintando, me divertindo e nunca imaginei que fosse acontecer”. E é muito legal esse retorno… Está rolando uma onda muito grande de livros interativos, mas são todos para você buscar histórias externas, machucar o livro ou brincar por fora. A gente queria o contrário: Manter esse contato com as pessoas e fazer elas sorrirem com coisas simples. Queríamos algo que fizesse todo mundo olhar para dentro. E refletir mesmo… É quando você tem aqueles cinco minutos, onde você pega, abre a página, lembra de uma pessoa que falou alguma coisa pra você, liga pra alguém especial, conta uma história que sente saudade, uma música…

Jessica: É engraçado porque ninguém repara, mas a gente não para no dia a dia pra fazer uma coisa que gostemos muito ou para pensar internamente. Então, é isso que nós pedimos: Que você pare cinco minutos, preencha uma página, pare no tempo e olhe pra você. Pegue uma frase que você gosta, tente lembrar de coisas que tinha esquecido há muito tempo… Todos esses pequenos detalhes podem te inspirar a fazer outras coisas e correr atrás de outros sonhos. Então, são pequenas coisas que acabam mudando nosso dia.

Por mais livros que mudem nosso dia a dia.

A partir daí, com celulares à mão, resolvemos continuar falando sobre o meio digital e compartilhar nossos projetos preferidos neste grande lugar chamado internet. Depois de muitos sorvetes, saímos ainda conhecendo o trabalho das ilustradoras “Garota Desdobrável” e “Lubi” (indicações da Ari), além dos incríveis Continue Curioso, Crash Course e Micro Sobrevivência (indicações da Jessica).

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