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Christian Figueiredo, o lokão do Youtube

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Lembro que conheci  o Christian pessoalmente um pouquinho antes do lançamento do seu livro. Fomos fazer uma entrevista para a Saraiva, ele e o Rafael Moreira, e a animação era enorme (primeiro livro lançado, sabe como é). Depois de boas horas gravando (foram vários vídeos e takes), fomos à procura de lugares para comer.

No caminho à procura de algum lugar aberto (já eram três horas da tarde), foram diversas fãs, fotos, dailys vlogs, ligações, abraços e vontade de comida. Quando finalmente achamos(Thiago Mlaker sempre conhece os melhores lugares pra comer), atacamos os pratos tão vorazmente que fiquei curiosa para saber se um dos youtubers mais famosos da internet era sempre assim. Com a resposta afirmativa, resolvi estender o convite para um dia, em algum restaurante bacana, rolar uma entrevista mais completa, aqui para o Torrada. Como sempre quero levar os autores para seus lugares preferidos em São Paulo, perguntei ao Christian qual era sua comida preferida no mundo. E a resposta veio na lata: “COMIDA JAPONESA”.

Fiquei com aquilo na cabeça e fui procurando algum lugar bacana para marcarmos. Acabamos parando na Sakeria Bar que tem, como um dos sócios, o PeLu, do Restart. Nem preciso comentar que foi uma animação só. Christian fã do PeLu, PeLu fã do Christian e a gente só observando e rindo muito.

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A entrevista, a comida e as risadas

Enquanto comíamos loucamente, fui fazendo as perguntas como quem não quer nada e observando as respostas, o jeito e o que aquilo poderia render. Foi nessa hora que me dei conta que só o Christian estava com três copos diferentes, – nenhum deles nem na metade -, entre Coca-Cola e duas cervejas sugeridas, “o mais importante é a comida, né?”, brincou.

Enquanto esperávamos mais uma rodada da comida japonesa, fomos gravando tudo o que podíamos e aproveitando para relembrar os velhos tempos. Passamos por tudo, adolescência, trabalhos, primeiras turnês do Restart, MTV, programas de televisão, “lembro que meu primo estava fazendo a arte do meu canal e eu estava vendo vocês (Restart) no Faustão, acredita?”, surgiu a frase entre as lembranças, por isso mesmo decidimos relembrar algumas músicas e nos prepararmos psicologicamente para o karaokê, que rola toda sexta no restaurante.

Muita gente não sabe que seu canal já existe há cinco anos e, bom, você bombou mesmo agora, não foi? Vamos começar com aquela pergunta que todo mundo faz: Como está sendo esse processo pra você? 

Christian: Eu já produzia vídeos desde 2006 com a câmera da minha mãe e eu nunca postei esse conteúdo. Então, em 2010, quando começou aquele boom, aquela revolução no youtube brasileiro, – quando começaram os primeiros vlogs em português e tal, porque antes só os americanos tinham essa tradição de postar conteúdo na internet, – eu pensei que eu poderia disponibilizar meu conteúdo para mais pessoas verem. Daí eu criei um canal chamado “eu fico loko”, eu já tava com esse nome na cabeça – não sei o motivo, na época eu nem gostava tanto do nome, agora eu curto pra caramba – e eu falei, “pô, vou criar um canal chamado “eu fico loko”, eu fico louco com tantas coisas que eu vou fazer um vlog sobre isso, com esse tema. E eu só comecei a bombar há uns oito meses, no máximo! Logo depois que comecei a fazer mais desafios e TAGs, uma coisa mais interativa.

Você chegou a desistir no começo?

Christian: Então, eu fiquei um tempo sem postar até. Tanto que eu fiz todo o Ensino Médio tranquilo, gravando quando dava. Aí quando eu saí da escola eu fiquei pensando o que ia fazer da vida e resolvi fazer um curso de cinema. Nessa época o canal tinha uns 80 mil inscritos, mas não dava pra apostar nisso em primeiro plano. Então, esse curso era profissionalizante, de dois anos, e com ele eu já poderia dirigir projetos profissionais… E nessa época eu cheguei até a abrir uma produtora audiovisual, produzindo coisas para a internet, porque eu já via que esse era o caminho, eu tinha uns 18 anos, investi toda uma grana e tal. Fiz dois meses de curso, comecei a ver que não era muito o que eu queria e eu foquei totalmente na Contágio (a produtora). Fiquei um ano trabalhando nisso, (ele chegou a investir mil reais em um vídeo de terror, mas foi com a esquete “Desabafo de um Japa” que ele viu que o público gosta de humor), mas não dava pra se bancar mais e voltei pro “Eu Fico Loko”, que estava parado.

E seu público costuma ter a mesma faixa de idade?

Christian: Mais ou menos, sabia? No analytcs, a faixa é de 18 aos 24 anos. Nos comentários eu noto essa idade mesmo, mas nas redes sociais e nos eventos, por exemplo, o grupo é composto, principalmente, por meninas na faixa dos 12, 15 anos.

E você costuma pensar em conteúdo que se adeque a esse público distinto?

Christian: Penso muito. Tem até novos quadros que vão estrear agora, que são pensados, justamente, pra um público de uma idade diferente, que eu notei que é bem presente também. Então, eu quero muito agregar novos conteúdos!… “Poxa, tô do seu lado, cara. Que louco” (para PeLu).

E como começou esse processo de Christian escritor? Acha que o livro ajudou a aumentar seu público? 

Christian: Acho que o livro trouxe um público mais velho (os irmãos e mães das leitoras, por exemplo). E, na verdade, esse Christian escritor já existia há um tempo. Eu já escrevia desde os meus onze anos de idade, eu amava escrever. Tanto que eu tenho vários esboços de livros meus. Eu até pedia pra minha mãe comprar cadernos com cem páginas e meu objetivo era sempre preencher tudo, com letras de forma porque eu não sabia fazer letra cursiva ainda. E eu escrevia histórias da minha cabeça, tinha até um livro que chamava “Garoto Infeliz”, daí todo mundo perguntava se eu era o garoto infeliz. E eu falava, “não, não. É um menino que os pais abandonaram ele…”. Tinha toda uma história e eu me orgulhava. Onze anos de idade e “eu sou autor”. E eu tenho todos esses livros guardados até hoje.

Então ficou super feliz com este processo do livro, na lista dos mais vendidos e tudo o mais…

Christian: Nossa, é muito maluco. O livro já chegou aos 100 mil exemplares vendidos, uma coisa que eu nunca imaginava. E era um nicho (a internet) que as editoras não conheciam, né! E agora está bombando…

E o processo de lançamento também foi maluco, né? Vários lugares e todos eles cheios de gente…

Christian: Foram 23 estados e todos realmente muito lotados. Eu não acreditava quando eu via. Todas aquelas pessoas ali, querendo ler um livro meu, sei lá, incrível.

E vem coisa nova por aí? Quem sabe um de ficção?

Christian: Eu quero muito lançar algo de ficção, até porque já fazia isso desde cedo. Mas, agora vai sair o volume 2 do “Eu fico loko”, no mesmo estilo, mas com um conteúdo um pouco mais adulto. Acho que quero falar tudo que fiquei com vergonha no primeiro. Está previsto para a bienal do Rio, agora em setembro. Já tem uma boa parte pronta…

E como está sua vida hoje? Consegue já se imaginar daqui um tempo?

Christian: Cara, as coisas aconteceram tão rápido que eu nem acredito. Eu tinha planos muito certos, por idade e tal. E quase tudo aconteceu nesses oito meses, o que é ótimo!

Mas, eu vejo a internet como o ponto alto de tudo. Quero continuar com isso, acho que esse é o futuro.